It's All Lie
Mesmo o que é verdade; é mentira. Tudo que está aqui é narrativa, é uma construção em cima do que eu penso, do que eu vivencio, do que eu ainda quero experenciar, do meu momento atual e de toda a minha expectativa do que ainda está por vir. Não me peguem ao pé da letra e não peguem no meu pé por causa disso, por favor.


Domingo, Agosto 24, 2008  

Por favor, me avisem se eu estiver errada.

Na próxima semana, começa o Seminário Antropologia e Imagem na minha Cidade. Como deu no O POVO, pensadores de todo o mundo se encontram na minha terra para debater esse tema, que é um tema novo e que, por estas plagas, é uma das poucas área de conhecimento que se dedica a um sub-tema que me interessa, que é a discussão das cidades, dos passantes, de como eles interagem com a cidade, que emerge nas pesquisas como um personagem. Não era para rimar, não, mas aconteceu.

Enfim, ocorre, que tenho percebido que meu filho está precisando muito de mim. Meu filho e o meu casamento. Não de noites românticas e cinema, com direito a jantar depois. Meu filho tampouco não tem precisado da mãe para passear no shopping ou mesmo sentar com ele e brincar de quebra-cabeças ou dominós educativos ou mesmo para os aprazíveis passeios na pracinha. Embora tudo seja muito prazeroso e esses programas também façam parte4 do ser mãe/ esposa.

Mas, meu filho e meu casamento têm precisado de mim na parte mais prosaica da vida: meu filho vem necessitando de limites, de ensinamentos, de estímulos para não retroceder em aprendizados que já deveriam estar consolidados (ops, de novo. Desculpem, foi sem querer). Meu marido, vem precisando que eu assuma o meu papel de mãe com maior veemência para que ele se libere (yes, é injusto, eu sei, e concordo, até, mas fazer o quê? Se eu quiser que isso dê certo, vou ter que ceder neste momento.).

É o seguinte: quando me afasto muito de casa e venho aqui apenas para dormir e acordar com eles, o João passa o dia de fraldas, apesar de já saber pedir para ir ao banheiro praticamente desde o início do ano. Além disso, alguém tem que ter a paciência e a firmeza de acordar beeem cedo para levá-lo por toda a semana à fisioterapia respiratória, alguém tem de vencer barreiras culturais para evitar que dêem mamadeira para ele até no suco da tarde e que o tratem como bebê, dando banho de pia (o que, convenhamos, é também um perigo, pois a pia pode quebrar), além de afastar a possibilidade de deixarem que ele assista TV (desenhos, o que é nocivo) e novelas (o que é pior) por todo o dia.

Enfim, minha tarefa é árdua, ainda mais se considerarmos que eu sou a parte que trabalha na relação e que, em alguns dias, tenho que trabalhar de manhã, de tarde e de noite. E, quando se coloca no meio disso, o desejo de participar desse encontro de antropologia, que é bem raro ocorrer aqui, para o qual devem convergir váááários conhecidos e que me renderia um bom certificado, além de contatos interessantes, sem falar no incrível aprendizado, para uma futura candidatura a um futuro mestrado, a coisa ficas ainda mais difícil.

Mas, mesmo podendo me dar mal novamente, vou ouvir a voz dentro da minha cabeça, vou seguir meus instintos de mãe, vou me dedicar ao meu filho.

Olha aí, voz, olha a responsabilidade. Não vai me decepcionar de novo, hein?

posted by CLIO ZINHA | 2:18 PM


Sábado, Agosto 09, 2008  

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.


Casais neuróticos não fazem a minha linha.

Muito obrigada.

posted by CLIO ZINHA | 1:25 PM


Domingo, Julho 27, 2008  

A primeira profissão a gente nunca esquece...

- Mamãe, eu quero ser piloto, mamãe!

posted by CLIO ZINHA | 1:12 PM


Domingo, Julho 20, 2008  

Fazer o quê?

Um tédio não delicioso toma conta de mim.

posted by CLIO ZINHA | 1:43 PM


Quarta-feira, Julho 16, 2008  

Amar é o quê? Amar o João é colocar limites e dar amor, carinho, atenção, brincar, cuidar, dar banho, cortar as unhas, estimular, encorajar.

Amar o Cláudio, amar outras pessoas que não são meus filhos, é bem mais complicado...Tipos, eu não tenho muito ciúmes do Cláudio, só uma única pessoa desperta meus ciúmes do Cláudio, apesar de eu saber que ele não sente mais nada por ela nem ela sente nada por ele. Enfim, não é o que eles sentem um pelo outro que me faz sentir ameaçada, é o que ela é: alta, imponente, disciplinada, madura, criativa e inteligente. E o que ela já significou para ele. Talvez, seja o que ela signifique mais para mim do que para ele.

Eu gosto da minha chefe, por exemplo, mas morro de ciúme dela quando chega alguém novo e que merece mais atenção e admiração do que eu por parte dela. E bom, ela já foi minha chefe. Depois, minha amiga. Agora, é chefe de novo. Isso está desencadeando uma crise de identidade na relação...Não bom, não bom.

Porque eu tenho ciúmes de amigas e amigos e de chefes. Vai entender.

Não sei, ciúmes são estranhos. Sentimentos são estranhos...

posted by CLIO ZINHA | 11:54 AM
 

Saudades do João, saudades do João, saudades do João: ele está de férias, eu comecei a ler as poesias infantis do Vinícius de Moraes, numa noite que ele ficou enrolando e não queria dormir (meia-noite já).

Antes de começar a ler com ele, expliquei que o Vinícius é o poetinha e por que ele foi apelidado assim pelos amigos. Foi muito fofo. Ele gostou das poesias - eu li a da cachorrinha, a do mosquito, a da casa, que foi a que ele mais gostou, lógico. Ele já a conhecia de música (CD) e clip e sempre achou divertida. Engraçado o que é a leitura: ele sacou de cara que era a letra da música, mas, dessa vez, aprendeu o texto e recita junto comigo.

posted by CLIO ZINHA | 11:44 AM


Quarta-feira, Julho 09, 2008  

Estava ali, namorando um curso superior de artes cênicas no Cefet-CE. E fiquei imaginando o que diria nas fatídicas apresentações da primeiras aulas. "Oi, meu nome é Clícia, estou aqui porque...Por que estou aqui mesmo? Olhem, esta é minha segunda graduação e ainda não sei. Exatamente como na primeira. Pelo menos, não estou aqui porque meu pai exigiu que eu cursasse uma faculdade, como da primeira vez. Mas, a verdade, é que ainda não sei. Alguns anos depois que concluí o primeiro curso, de Jornalismo, descobri que o escolhi porque queria escrever, porque escrever e publicar a ansiar pela adrenalina que isso me dá nas veias é como uma deliciosa maldição, sem a qual não me sinto viva nem respirando. Talvez seja por isso que tenha decidido estar aqui. Para escrever para teatro. Não, nunca para representar. Para fazer os outros representarem o que escrevo. Sim. Isso, sim. Por isso, eu anseio. Porque minha escrita não cabe mais nas letras".

E Agora cresço e me Imagino num Palco...

Tampouco me imagino eu mesma, sozinha, a representá-la, a ler o meu texto. Minha própria e monótona voz entoando meus escritos em leituras de livrarias. Não. Isso seria a morte da minha literatura, que sempre quis livre. Livre dos livros, dos romances, das páginas que são ou esquecidas em prateleiras ou manuseadas por escolares enfadonhos entre uma mordida e outra num lanche engordurado. Entre um e outro beijo de namorado.

Não, quisera eu ser a minha escrita o próprio beijo. Quisera tê-la viva, pulsante em muros, em esquinas, nas bocas, nos corpos, em tatuagens, em esferas, em quadriláteros, nos percursos urbanos dos que vão e vêm e preechem esta cidade e as outras com seus corpos, suas histórias, seus amores, suas repulsas. Por isso, um blog. Um livro, não, nunca. Novamente, não, nunca mais, aprisionar meus textos em livros, papéis, academias, centros literários. Eles morreram, ainda bem. Ficaram n' outro século. Para trás, bem distantes.

Agora, chegou a vez dos que vivem a literatura: e, para isso, para vê-la viva nas bocas, nas linhas, nos contornos, nada melhor que o teatro. Eu quero escrever para o teatro.

Como Nelson, mote das brincadeiras com a minha irmã. Sim, Nelson que se permitiu nadar pela escrita e a imaginação através de um cotidiano pulsilânime e, por isso, serviu aos grandes teatros, mas, também, às brincadeiras adolescentes. Como a própria vida.

Os blogs e demais veículos, de brincadeira em brincadeira de escrever, me permitem ser livre, livre, livre. Livre da obrigação de respeitar a literatura como amo e respeito. Um respeito que me impede de escrever, um respeito que me faz abdicar de publicar. Como poderia, então, ousar ansiar por um lugar ao lado de Clarice, ou Cecília? Ou Sylvia e Elizabeth e Jane e Virginia? Ou ainda, o próprio Nelson, ou Vinícius, ou Machado, ou Vasco, ou Ricardo, ou John Fante, ou Byron, ou Shelley? Enfim, ser escritora de blogs - não me importo com esse título - é escrever para o meu tempo e deixar os fantasmas e as efígies nos livros, na minha imaginação de leitora, na minha memória afetiva.

E eu gosto disso.

posted by CLIO ZINHA | 12:49 PM


Terça-feira, Julho 08, 2008  

Slow Motion - Ritmo de Furacão

Hoje foi mais um dia de vazio em mim. Um a dia de vazio imenso, em que chorei baixinho no banheiro do trabalho e nem me importei que as pessoas vissem meus olhos inchados e meu nariz vermelho. Um fragmento de fichamento mal terminado, um diálogo mal ouvido antes de começar uma reunião, minha antiga sala de estudos bagunçada, a falta de adrenalina no trabalho, que entrou no ritmo slow motion na última semana. Enfim, elementos dispersos, fragmentados, tão pequenos e tão capazes de causar um furacão na minha vida.

E por que o slow motion pode ser um furacão para mim?

posted by CLIO ZINHA | 11:29 AM


Domingo, Junho 15, 2008  

Não sei quem eu sou agora. A mãe que eu era parece ter ido embora, me abandonado para sempre. Gostaria de reencontrá-la. Eu pareço um ogro insatisfeito e me sinto mal com isso.

posted by CLIO ZINHA | 7:06 PM
 

Tempo de ser sozinha
Eu preciso de tempos como hoje. Tempo para nada fazer. Tempo para fazer alguma coisa. Tempo para não falar. Tempo para sentir saudade. Tempo para apenas respirar. Tempo para parar. Tempo de comer bobagem. Tempo de ouvir música boa. Tempo de ouvir música besta. Tempo de refletir. Tempo de perder tempo. Tempo de ser eu. Mesma. Sozinha.

Eu preciso de um tempo para ser só.

posted by CLIO ZINHA | 6:54 PM
 

Doente, eu?!!!!

- Eu não estou doente, cof, cof, esssa gripezinha boba, cof, cof, vai passar. Afinal, cof, cof, ela só está aqui há, o que, dez, quinze dias? Isso não é nada Cof, cof, cof, cof, cof, cof...

A redatora não pôde terminar o post porque teve um interminável acesso de tosse.

posted by CLIO ZINHA | 11:04 AM


Quarta-feira, Junho 11, 2008  

Anybody Miss Me?

Não, eu não fui embora. Só estou bem quietinha.

posted by CLIO ZINHA | 7:45 AM


Domingo, Maio 04, 2008  

Carta para você

Faz tanto tempo que a gente não se vê e isso é um chavão que eu gostaria de evitar. Mas, a verdade é que, talvez, a gente nem se veja mais. Nunca mais. Quando você vem aqui, estamos ocupados, os dois. Eu, com meu trabalho. Você, com a sua família. A nossa amizade continua apesar disso. Sempre lembro de você, de nós, de como os nossos dois filhinhos deveriam brincar juntos, decomo nossos cônjuges deveriam ser amigos, tão parecidos que são, como deveriam trocar receitas sobre como é conviver conosco.

Dá até para rir. A gente imaginava que nada, nunca, iria nos separar desta forma. Mesmo que vocês venham morar em fortaleza, eu quero, eu preciso ir embora desta cidade por algum tempo. De preferência, por muito tempo. Para isso, eu tenho que vencer a minha própria resistência, o meu próprio boicote. Mas, eu vou. Um dia, eu vou.

Outro dia, encontrei a sua família num casamento. E...Uau...Elas ainda pareciam também a minha família. Eu também não vejo mais nossos amigos que continuaram por aqui, salvo pelo acaso, que às vezes nos coloca juntos numa mesma reunião de trabalho.

Ainda vejo vocês em uma ou outra obssessão nerd que subsiste, como a internet, como jogos eletrônicos obscuros, como ficar até tarde acordada (embora não seja mais jogando pôquer nem em lans improvisadas por todo um final de semana na casa de um de nós, antes mesmo que esse conceito existisse). Se não por isso, por tudo que ainda guardo no meu coração, de bom, de sobrevivência, de alegrias, de confoto econsolos mútuos. A distância faz, afinal, muita diferença. Mas nunca tanta que os afaste dos meus sentimentos legais. Afinal, a saudade existe para isso. E os novos amigos que vêm me trazem um pouco de cada um de vocês que eu deixei para trás.

Um beijo para vocês e, em especial para o membro mais recente e fofo da sua família.

Clio.

posted by CLIO ZINHA | 1:17 PM
 

Sim, eu sou mulherzinha. Ou estou numa fase do gênero.

posted by CLIO ZINHA | 12:17 PM
 

Apenas AGORA eu descobri como fazer download de músicas na internet (oi, eu era sem tempo, estava fazendo um mestrado, tá?).

Para vocês terem uma idéia, fazia séculos que eu estava sem avg free no meu computador (ontem, baixei um e flagrei cinco - uau! - infecções aqui) e ainda alugo vááááários DVDs por final de semana na locadora (várias vezes, eu repito os títulos para o João, mesmo tendo gravador de DVD aqui), em plena época de Torrent e Orkut.

Bom, pelo menos para músicas, isso acabou e agora toca a Trilha do Casamento do Meu Melhor Amigo, sem parar,aqui em casa.
E, agora, aquiestá: só toca isso no meu computador.

posted by CLIO ZINHA | 12:17 PM
 

Eu não abandonei isso aqui: apenas tenho novas manias - e, bom, vocês sabem como eu sou com novas manias...

Mas, eu volto. Um dia, eu volto. Por enquanto, estou me divertindo com um diário de verdade - papel (caderno de desenho, na verdade), lápis, crayon pas sakura (o gorduroso, não o seco), canetinhas de muitas cores, canetinhas com glitter, fotos, papel seda para copiar desenhos. Enfim, todas aquelas coisas da infância, das quais sentimos muitas saudades, mas nunca retomamos.

Eu retomei agora. Sugestão dele.

E deles:
- Paula
- Matthew "Gray" Gubler
- Daniel Price

posted by CLIO ZINHA | 11:52 AM


Sábado, Maio 03, 2008  

Pense Rápido:

Edição no texto dos outros é refresco?

posted by CLIO ZINHA | 10:23 AM


Terça-feira, Abril 22, 2008  

Uma tristeza mansa habita agora em mim:vontade nada. Nem escrever, nem ser nem existir.

posted by CLIO ZINHA | 9:43 PM


Segunda-feira, Abril 21, 2008  

Olhem só que receita legal para mães atribuladas e sem noção na cozinha feito eu:

Torta de liqüidificador
Massa
1/2 xícara de chá de óleo / 1 ovo / 6 colheres (sopa) bem cheias de farinha de trigo / 1 pitada de orégano/ 1 colher (sobremesa) de fermento em pó / 1/2 cebola / 1 xícara de chá de leite

Recheio
1 lata de milho / 1 vidro de palmito / azeitona/ ½ tomate picado / azeite / sal / ½ cebola

Preparo:
É o mais fácil de todos. Coloque tudo no liqüidificador e bata. Em uma panela, coloque os ingredientes do recheio em uma panela e frite. Pré-aqueça o forno em 180 graus. Unte uma forma média e despeje metade da massa. Ponha o recheio. Cubra com o restante da massa e deixe no forno por cerca de 30 minutos ou até dourar.

Pescado do Blog da Thaís - Crescer

posted by CLIO ZINHA | 11:46 AM


Sábado, Abril 05, 2008  

Por que as pessoas não se dão conta que ficção é ficção?

É tão difícil assim?
Eu, hein! Acho que elas também choravam por Carrossel e Chiquititas...Ah, e antes de causar polêmicas: sem ofensas a quem chorava por Carrossel e Chiquititas, tá? Eu assistia dedicadamente Maria do Bairro e Simplesmente Maria. Só não chorei por Carrosel e Chiquititas também porque não são da minha geração.

Mas, encarar CSI Miami como se o Horatio Caine fosse baixar aqui no Brasil de 38 em punho para prender traficante em favela e desbaratar o tráfico só com aquele laboratório (por melhor e mais idealizado que seja o laboratório), se envolver em discussões seriamente por conta das opiniões divergentes e não-fanáticas sobre essa ficção e não conseguir rir/ se divertir com as breguices da série, que são tão própria de Miami, tenha paciência! Fazer isso aos 8, tem perdão. Mas, dos 18 pra cima...Só paciência mesmo.

posted by CLIO ZINHA | 11:47 AM


Quinta-feira, Abril 03, 2008  

Estou atrás de uma nova identidade, pois perdi a minha recentemente. Alguém tem uma aí para me sugerir?

E não é de documento que estou falando...

posted by CLIO ZINHA | 3:39 PM


Segunda-feira, Março 24, 2008  

mamãe que rouba pirulitos!

De repente, aos prantos, o João irrompe o quarto que eu estudo (ou o "quarto do computador", já que isso aqui não merece mais o nome de biblioteca, pois está muito bagunçado!):
- Mamãe!
- O que é, meu filho? A mamãe está estudando, João, vá para a titia, vá.
- Ele quer um pirulito que estava na geladeira. De repente, ele lembrou desse pirulito! - Explica a titia, a Aglaís.
- Ah, eu comi. - Eu respondo.
- Pois agora, ele quer. - Ela retruca.
- Mas tinha só um restinho, bem pequenininho, na geladeira. Aí, eu comi. Vê se ele não se conforma com ovo de páscoa do Batman.
- Está na geladeira?
- Está. Você quer o ovo de páscoa do batman, João?
Ele, meio que se conformando e apenas soluçando:
- Que-quero!
E saem os dois, Aglaís e João, do quarto.

posted by CLIO ZINHA | 4:18 PM
 

Por quanto tempo terei de parar a minha vida, a intervalos periódicos desencadeados pelo meu estresse, para "cuidar da minha saúde", como diz o meu pai? O que devo fazer para sair dessa armadilha que minha mente arma para mim mesma?

Eu digo que faria qualquer coisa para sair disso. Mas, não é verdade. Ainda não me dispus a empreender uma viagem ao fundo de mim mesma, cada vez que me aproximo demais, recuo, volto, pego um desvio, faço um outro caminho, mesmo sabendo que o percurso escolhido não me levará à vitória, mesmo sabendo que posso ir parar em uma vereda que chega em lugar nenhum, me perder pelo meio do caminho, encontrar o lobo mau, qualquer coisa do gênero.

E a mente sabe do meu temor e isso faz parte da sua armadilha.

posted by CLIO ZINHA | 4:12 PM


Segunda-feira, Março 03, 2008  

Eu já não sou uma hedonista das drogas, eu já não sou uma hedonista do sexo. Por favor, não me tirem o prazer de ser uma hedonista da música, das narrativas, da leitura.

Quando eu leio, tem que ser demais, tem que ser bastante. Tem que ser sem parar até o final.

Quando eu escrever, tem que ser over, tem que dar acabamento, fechamento, tem que me dar catarse. E algo mais.

Ler e Escrever e Ler são as minhas drogas do momento. E ouvir? Ouvir é o que me acalma e me reconcilia depois de uma overdose. É caminhar calma e sozinha num Parque depois de uma noite louca de entregas.

Principalmente, se for Villa-Lobos. Villa-Lobos é perfeito para o pós das noites de entrega louca à escrita e à leitura. Villa-Lobos é como um cigarro. Só que melhor, bem melhor (não vem com mau hálito, nem câncer e ainda traz sempre a mesma alegria, sempre o mesmo tu tu tu tutututu no cérebro, a cada vez que o escuto. O ouvido não se acostuma jamais a Villa-Lobos, assim como o cérebro se habitua à nicotina. E por isso ele é melhor, muito melhor).

Não me peçam para ser amiga, não me peçam para ser esposa, não me peçam para ser namorada, filha, sobrinha, vizinha, condômina, companheira de religião, nem mesmo aluna. Pois estou de corpo e alma entregue ao frenesi das escritas e leituras. E só posso acabar quando acabar mesmo.

Sei que não é justo. Mas vocês me ajudaram a entrar e a amar essa viagem de corpo e alma, a desejar esse delírio. Agora, não me peçam para parar. Se for necessário, me internem. Mas, não me peçam para parar.

Sei, não é justo. Não é nem mesmo correto. Mas é asim que sou. E ainda não aprendi a ser diferente.

posted by CLIO ZINHA | 9:55 AM
 

Uma vitória

O João não começou essa semana de aulas doente...

E entrou no colégio sem chorar, sem pedir para ir embora e sem se agarrar a nós. Entrou como um aluno de verdade: segurando a lancheira, caminhando sozinho, pronto para começar a aventura mágica de aprender.

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Relendo o texto abaixo, percebi duas coisas:

1) pode ter dado a impressão que eu ia à biblioteca ler na hora do recreio os livros da "Aula de Leitura" para passar na frente dos meus colegas e, de propósito, perturbar a vida das professoras leigas do colégio de freiras. Mas, não era isso. É que, desde antes daquele tempo, eu era uma leitora ávida e, como já disse, hedonista ao extremo. Herdei isso do meu avô (pena não ter herdado também a disciplina que ele sacava do bolso para estudar, quando era necessário, mesmo não sendo um acadêmico, mas apenas um profissional da área de Direito), que me confessou um dia: "Não sei ler literatura por obrigação. Nunca terminei Ulysses, do James Joyce, porque era um livro chato, chatíssimo.". O contato com o texto era de tal maneira estimulante que eu não conseguia me restringir à leitura da aula (apenas uma hora, uma vez por semana). Ficava em frêmito, queria chegar ao final logo, descobrir o que aconteceria com as duas irmãs órfãs e sua amiguinha, a pequena Sofia. Enfim, isso me leva ao segundo ponto de reflexão:

2) Sou muito mais uma leitora de Roland Barthes, que de Chartier. E isso vem nos dois sentidos: sou muito mais a leitora descrita por Barthes, que ama o texto e se relaciona emocionalmente de forma bastante inusitada com ele, que o leitor analisado por Chartier. E gosto mais do primeiro que do segundo, também.

posted by CLIO ZINHA | 9:41 AM


Domingo, Março 02, 2008  

O Chartier me faz retomar as primeiras aulas de leitura, ministradas pelas tias Lúcia e Dorinha, ainda no Santa Cecília. Ele prova que o que elas me ensinaram ainda tem, sim, muito valor (por mais chatas, amarguradas e pouco didáticas que fossem. Ops, sorry, agora já foi...). Elas ficavam fulas porque eu ia na biblioteca fora da hora da "Aula de Leitura", no intervalo, e lia os livros dessa aula bem rápido, acabando bem antes dos outros e do tempo previsto por elas para gastarmos naquela obra. Daí, me obrigavam a afazer resumo. Que eu não fazia nunca, nunquinha. Elas me diziam que "ler rápido e somente por prazer" não existia. Pelo menos, não para alguém da minha idade.

Naquele tempo, por volta dos meus 10, 11 anos, elas diziam que eu tinha que aprender a ler nos três estágios desse ato: primeiro um contato inicial com o texto, no qual demarcaria as margens de leitura, meu olhar se habituaria àquele livro especificamente, suas fontes (não, elas não usavam esse termo, mas era algo que significava isso), suas palavras mais usuais. Depois, num segundo momento, numa segunda leitura, eu perceberia o estilo, o que me interessava, o que me irritava. Num terceiro momento, aí, sim, eu poderia dizer que me apropriara do texto (ou o havia decorado, né), tomando nota dos sentidos, do estilo, do que não havia entendido, do que havia me chamado atenção.

Sem isso, de acordo com elas, eu nunca aprederia a ler realmente e nunca saberia qual o real significado do texto - para fazer o famigerado resumo. Por isso, os outros alunos ficavam o ano inteiro em "As meninas exemplares". Mas, eu não ficava, não, não tinha essa paciência monástica.

Talvez, por isso e por ser uma hedonista incurável da leitura, o Chartier me seja tão difícil, pois uma só leitura não me basta para me apropriar do texto. É preciso que leia cada parágrafo três vezes, marque, escreva ao lado e depois ainda reeescreva o resumo no computador, quando algumas passagens ficam finalmente esclarecidas - ou eu consigo compreender que não compreendi algo.

Olha aí, Chartier, quem diria, mas você é ponto para as tias Lúcia e Dorinha.

posted by CLIO ZINHA | 1:27 PM


Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008  

Ser mãe é

Fazer com seu filho exatamente aquilo que sua mãe fez com você e que você havia jurado não fazer quando tivesse filhos...

posted by CLIO ZINHA | 11:01 AM


Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008  

Tem horas que me desinteresso de Orkut, MSN, amigos e tudo mais.

Não é culpa dos amigos nem dos programas. Nem minha.

É só um troço que acontece comigo, vez por outra, com uma freqüência bem maior do que eu gostaria.

Acontece que gostar dessas coisas e gostar dos outros é gostar da vida e me amar também. E tem horas que eu não gosto da vida. E queria poder fugir de mim. Me esconder.

Se possível, no roteiro de um seriado, viver a vida de outra pessoa, comandada por algo papável e acessível como a cabeça do diretor, do roteirista.

É isso, queria que a vida tivesse um roteiro certo, onde eu pudesse ver que horas os sofrimentos acabam e começa a minha vez de final feliz na trama.

posted by CLIO ZINHA | 9:24 AM
 

A Trícia e o João me ensinam o óbvio: o essencial está além do consumo.

posted by CLIO ZINHA | 9:03 AM


Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008  

Ah, o João foi para a escola. Isso também me empacou um pouco.

Mas isso é legal.

posted by CLIO ZINHA | 6:39 PM
 

Esse último mês que passou eu pensei zilhões de coisas sobre zilhões e zilhões de pessoas.

E eram coisas legais. Que valiam a pena ser escritas.

Mas fiquei empacada com a temporária falta de internet em casa, a minha tristeza, pessoas queridas muito doentes, pessoas queridas visitando, o João doente. Eu, doente.

posted by CLIO ZINHA | 6:38 PM
 

Hoje eu liguei para o meu pai.

Pedir socorro. de novo.

Mas, ele estava às voltas com o povo pedindo mais socorro do que eu, o sono sempre, sempre, sempre atrasado dele, lotado de trabalho, de pessoas, de filhos agarrados com livros, de cansaço acumulado, de vida preenchida.

E eu, aqui. Às voltas com o quê mesmo? Nada. Só comigo mesma.

posted by CLIO ZINHA | 6:37 PM


Terça-feira, Janeiro 29, 2008  

Para que eu não esqueça!

Clícia – Assim, em relação à posição das mulheres dentro do Partido...Elas eram comunistas, militantes, filiadas etc.
Vasco – As que quisessem.
C – As que quisessem, mas elas tinham acesso...
V – Elas eram consideradas naquela época organização de massa, ela era considerada organização de massa. Agora, tinha aquele núcleo, aquele núcleo dentro do Partido.
C – E as especificidades da luta feminina eram colocadas em pauta?
V – Eram. Eram à medida que elas iam se revelando. Se fazia campanha, a campanha era pixamento (risos). Porque quando se fazia assim uma passeata, essa passeata era muito bisonha (risos).
C – Por que bisonha?
V – Eu tenho que falar porque eu não esqueci (risos). Mas você como eu não esqueci que falei até rápido? O negócio é eu...
C – O senhor falou muito bem! Foi aquilo que eu lhe disse, o senhor tem é ansiedade!
V – Mas aí ninguém pode arriscar isso num júri! Num júri, como é que eu vou arriscar um negócio desses?
C – Mas e se o senhor tentar um tratamento para ansiedade, com antidepressivos, como o prozac?
V – Todo dia que eu leio a esse respeito as pessoas me desanimam, sabe? Me dizem que a verdade é que, os médicos, a verdade é que isso aí é um negócio que pode diminuir numa escala menor, mas não pode reduzir e tal. Eu tenho ouvido, já ouvi alguns médicos daqui, como o Leitão, é até irmão do Leitão comunista...Tarcísio Leitão!
C – Vovô, mas então ele é do tempo do ronca!
V – Mas tem outros que é do tempo do não-ronca (risos)! Tem uns moderninhos, minha filha! Até aquele tratamento molecular eu já fiz.
C – O senhor não quer tentar ir lá no Martinho, não?
V – Quem é Martinho?
C – Martinho é o médico do Cláudio. Ele é muito bom.
V – É?
C – É, o Cláudio estava com um problema semelhante, não era? Estava com dificuldade de completar raciocínio, tava com... E o Martinho, assim, vem acompanhando o Cláudio, hoje em dia ele está bem melhor, não é Cao?
Cao – Melhorei.
V – Pois é. Vamos ao Martinho!
RISOS
C – Ele é ótimo, ele é ótimo. Ele é comunista, ele é muito engraçado...
V – Então, ele é gente boa, comuna é o bicho melhor que ainda tem no mundo! (Risos).
C – Ele diz que ele está fora de moda porque é marxista.
V – É, eu também. Diga a ele que tem dois!

posted by CLIO ZINHA | 5:32 PM
 

Não, não tem mais livro de visitas. Nem e-mail.

Somente eu. Eu mesma. Eu sozinha. Sem platéia. Sem público. Sem diálogo com os outros.

Porque eu entrei numas que para escrever mesmo, tenho de ser sozinha.

Mas um dia isso passa.

posted by CLIO ZINHA | 10:36 AM
 

Começar pela leitura. Recomeçar pela escrita.

Apagar tudo de novo.

Recomeçar.

Mais uma vez.

posted by CLIO ZINHA | 10:32 AM
 

Estar aqui

Estar sozinha.

Estar com você

Estar sozinha.

Amar

Sozinha. De novo.

posted by CLIO ZINHA | 10:01 AM


Quinta-feira, Janeiro 24, 2008  

E as embalagens de bono chocolate se acumulam na lixeira que fica embaixo do meu computador. Quando terminar esse trabalho, terei uma média de quanto eu consumo em fases de escrita...

posted by CLIO ZINHA | 3:31 PM


Terça-feira, Janeiro 22, 2008  

Tenho vontade de guardar as emoções desse momento da pesquisa numa caixinha, pois se o que eu busco na vida é a intensidade, temo nunca reencontrar novamente essa força que me toma nos primeiros momentos em que me encontro sozinha com o meu jornal, naquela sala fria, ele quase se desmanchando entre os meus dedos.

Temo perder a emoção de tocá-lo, temo me habituar à pesquisa e não reencontrar essa sensação de primeiro beijo que estar em contato com o meu objeto, com as minhas fontes me dá.

Temo sufocar issos pela necessidade - embora contemporaneamente ela seja mínima, de distanciamento, de estranhamento - que a pesquisa acadêmica impõe. Mas, também tenho neessidade de saber qual a Clícia pesquisadora e pessoa vai emergir desse momento. Estou num casulo. Quero ver a feição de borboleta que terei ao final desse processo.

Pois certamente, não serei (já não sou) a mesma.

posted by CLIO ZINHA | 10:02 AM


Domingo, Janeiro 20, 2008  

Conversando com uma amiga, eu fico pensando: Será que algum dia vou me sentir capaz de dar conta dos recados?

posted by CLIO ZINHA | 2:48 PM


Sábado, Janeiro 19, 2008  

Acho que eu só vou me dar conta de quanto o mestrado me transformou, mais ou menos um ano depois que eu terminá-lo.

posted by CLIO ZINHA | 10:05 AM


Sexta-feira, Janeiro 18, 2008  

Acabei de descobrir!

Pode ser que eu não tenha dislexia, mas um raciocínio rizomático, não-linear.

Beleza.

posted by CLIO ZINHA | 11:03 AM


Segunda-feira, Janeiro 14, 2008  

Mil obras a decifrar, mil percursos a fazer, regras por transgredir e subverter.

posted by CLIO ZINHA | 5:45 PM
 

Lendo Chartier, que fala sobre a liberdade do perambular mundano da leitura, eu desejo ser mais uma leitora que uma escritora. mas, antes, desejo ser uma escritora que lê o que escreve e se surpreende com o que escreve como se nunca tivesse visto aquele texto. E, ainda mais, redescobre no texto originalmente escrito por si significados nunca antes imaginados no ato da escrita, mas só perceptíveis para um leitor mundano-desatento-lúdico-hedonista.

Não entenderam?

Tudo bem. Eu tampouco entendo tudo que escrevo. Decifrar-me cabe a vocês, leitores. E esse "vocês" me inclui também.

posted by CLIO ZINHA | 5:41 PM
 

Xô! Fora! Vão embora!

Saiam daqui suas fantasias urubus de uma adolescência eterna. Adolescência eterna é a morte. É a morte de tudo que pode ser construído de legal em cima da superação, de mil readaptações, redirecionamentos vários, invenções, inovações. Por isso, vão embora suas fantasias cretinas de me manter para sempre naquela juventude improdutiva de sofrimento acorrentado a mil lembranças produzindo mais dor e sofrimento. E angústia. E fantasias de suícidio rock 'n roll. E de ir morar longe, onde ninguém me conheça. Onde quer que eu vá morar agora sempre terá alguém que me conhece. No mínimo, uma pessoa já saberá que eu sou eu e essa pessoa bastará para me trazer de volta ao mundo dos adultos. Ao mundo dos vivos. E voltar de uma fuga será pior do que ficar e enfrentar o que deve ser enfrentado, aqui e agora. É só adiar tudo que eu tenho que fazer e isso sempre piora um pouco as coisas. Sempre torna tudo mais difícil e doloroso.

Por isso, fora juventude eterna. Que venha a velhice. E com ela a perda de vigor, a maturidade, os cabelos brancos que eu vou pintar, alguma serenidade, uma certa beleza um pouco triste. Mas sem quilos a mais, que quilos a mais são o cúmulo da decadência em quem tem 1,50m e ossos finos como os meus. Que eu saiba me transformar numa velhinha simpática e sábia e compreensiva a quem todos escutam, mas nem sempre obedecem e nem por isso me frustram, como O Narrador, de Walter Benjamin, que é um texto do caralho.

E que eu pare de me sabotar, pois não adianta o quanto eu me sabote. A adolescência não vai voltar nunca.

posted by CLIO ZINHA | 4:12 PM
 

Por que é tão doloroso o enfrentamento?

posted by CLIO ZINHA | 3:37 PM


Segunda-feira, Janeiro 07, 2008  

Gracinhas do João

- Mamãe, eu vou delisgar a chuva!
Com a malinha branca com ursinho Pooh azul (que não é dele, é minha!):
- Mamãe, olha, um calabouço! O que é que tem dentro do calabouço?
Arrastando a malinha pela casa:
- Tchau, mamãe, vou embora.
- Vai para onde, João?
- Vou para a casa da Vovó Osvaldina.
Arrastando a malinha e dentro do carrinho vermelho dele;
- Tchau, mamãe. Já vou, qualquer coisa, tu me liga.

posted by CLIO ZINHA | 12:06 PM


Domingo, Janeiro 06, 2008  

Eu tenho tanto para contar aqui...Os percursos - percalços? - da minha pesquisa, a vida em família, as gracinhas do João, um punhado de sonhos e bobagens que eu penso durante o dia. Eu só falo do Ano Novo, depois que passam Natal e Ano Novo, só depois de algum tempo daquele burburinho que são as festas de final do ano na minha vida, a ficha cai e parto para (re)avaliar projetos, ganhos, perdas etc. Mas, hoje, estou aqui para contar uma descoberta I-N-C-R-Í-V-E-L que fiz recentemente: camarão piora os processos inflamatórios que estão em curso no meu corpo.

Tcharaaaaammmmmmmm!!!!!

Eu não merecia o Nobel de Medicina? Constatei na prática que, em mim, camarão não apenas causa erupções de pele, aumenta o fluxo (e a cólica) menstrual, dá um pouco de nariz entupido e garganta inflamada, talvez alguma dor de cabeça, mas que também, pasmem, aumenta cem vezes cem dores musculares e afins.

Passei as últimas semanas de creusa, por conta das férias da Aglaís, e o João andou tendo uns ataques de querer braço a todo custo recentemente. Eu o colocava no colo e ficava segurando com a parte esquerda do corpo (mão, braço, cintura, tudo que desse para apoiar um menino de 2 anos e cinco meses, quase um metro de altura e cerca de 12 quilos) para evitar piorar a situação com a mão direita, já devidamente sobrecarregada com a escrita e todas as outras atividades de uma destra. Pois bem, acho que a parte esquerda do meu corpo, até então meio que acostumada à vida mansa de um uso secundário, estava prestes a reclamar por meio de dores musculares e algum sofrimento nos tendões da mão dos meus excessos de carinhos e cuidados com o João. Entretanto, eis que eu lembrei que comi camarão, ontem, no almoço da casa da vovó. Antes, para compreender o significado disso, é preciso que vocês saibam algo a meu respeito.

Sou uma gulosa. Não sou gorda por pura sorte e genética, mas como MUITO aquilo que gosto (perguntem ao meus fornecedores de Coca Zero e Bono Tortinha de Chocolate). Dessa forma, repeti e repeti e repeti o peixe ao molho de camarão, pedindo sempre ao Cao - meu previdente marido que NÃO come camarão - que caprichasse nos camarões do meu prato. Umas quatro horas depois, veio a dor aguda e lancinante no braço, minha mãe fez massagem com pomada anti-inflamatória e analségica, mas só a dor só passou com o potente comprimido passado pelo dr. Colares para a tendinite da mão direita. E eu pensei: "Agora lascou, nem adianta mais eu tentar ser ambidestra porque a tendinite chegou na mão esquerda!". Confesso que fiquei preocupada, pensei em manerar no uso do computador, no colo para o João, em tudo, enfim. Pensei até em colocar em prática as recomendações do dr. Colares de ginástica laboral para prevenir o Mal de quem usa muito esses equipamentos modernos. Mas, eis que liguei os pontinhos, sonolenta, ainda meio dormindo e meio acordada hoje de manhã, e cheguei à conclusão que foi o camarão de ontem que ameaçou a minha mão esquerda.

Não fosse assim e a dor não teria cedido quase que de imediato com o uso do ani-inflamatório, sem voltar a reaparecer - na mão direita, ela apenas diminui de intensidade e, quando cessa o efeito do remédio, volta com força total, me obrigando a recorrer novamente ao remédio, sucessivamente, até que ainflamação passe.

Viva! Viva o uso do computador, viva fazer milhares de fichamentos na biblioteca, viva cortar e decorar papel feito louca (scrapbooking), viva pegar meu bebê no colo à vontade. Viva fazer tudo que eu gosto do jeito que eu gosto: muito, em excesso, over, demais, bastante.

Até, é claro, o próximo almoço na casa da vovó que tenha peixe ao molho de camarão.

Não sei a quanto disso minhas articulações vão resistir, mas até lá me divirto bastante.

posted by CLIO ZINHA | 10:53 AM


Domingo, Dezembro 23, 2007  

Eu vejo meus amigos que casaram - e eram inteligentes antes disso - ficando cada dia mais conservadores.
Eu vejo os meus vizinhos engordando e tendo filhos feito coelhos. (Nessas horas, eu lembro, eu lembro do Bobo Cuspe, personagem punk do Angeli, na finada Chiclete com Banana e tirinhas de jornal, dizendo que quer que os idiotas normais e convencionais se fodam. Nisso, é socorrido por um amigo que responde: "Eles se fodem, cara. É por isso que se reproduzem tanto!". Tá bom, não fica tão engraçado na minha narrativa, mas tentem lembrar-se do personagem, ok?Pode ajudar.).
Eu vejo meus amigos que foram para São Paulo cada dia mais interessantes.
Eu vejo a violência da minha provinciana cidade tolher meus movimentos, dos meus familiares e dos amigos que restaram por aqui.
E me pergunto se fiz as escolhas corretas.
Entretanto, eu também vejo as pessoas adoencendo sozinhas naquela cidade pavorosa.
Eu vejo as pessoas buscando alguém, desesperadamente, até com muito risco de vida.
Eu vejo as pessoas se destruindo porque não construíram nada mais concreto para zelarem.
Eu vejo que, posso não ter feito todas as escolhas que gostaria, mas tenho uma boa vida. A vida que mereço ter. E não devo desejar, salvo a que for construindo nos labirintos de táticas e improvisos dessa minha vida boa.

posted by CLIO ZINHA | 10:25 PM


Quarta-feira, Dezembro 19, 2007  

Fui ali e volto logo

posted by CLIO ZINHA | 10:54 AM


Domingo, Novembro 18, 2007  

Não há nenhuma porta de fuga...

posted by CLIO ZINHA | 11:41 PM
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