Eu que não sou a Clarice
Eu, que gostaria de escrever como a Clarice Lispector, mas não tenho um terço do talento e da coragem dela.


Terça-feira, Setembro 30, 2003  

Ai, gente. Abandonei tudo de repente. Era isso ou eu. Estava exausta (ainda estou cansada, mas tudo bem) e, o pior, irratada, prestes a dar uns gritos em alguém (o problema é que o alguém poderia perfeitamente ser um dos meus chefes ou das minhas chefes ou algum figirão arrogante que circulasse aqui pela secretaria), lagando tudo de vez.

Eu tô com a Fal e não abro. Vamos nos unir no Movimento-pelas-mulheres-que-querem-ser-donas-de-casa, urgentemente. Meu sonho é ir preencher uma ficha, num crediário, e poder colocar no quesito profissão: "do Lar". Ou então, "confeiteria, costireira, bordadeira, criadora de filhos e cozinheira de mão cheia". Ah, mas não adianta que eu não faço faxina, de jeito nenhum. Bom, se bem que uma faxinazinha pode até ser divertida. O problema é ficar encontrando constantemente fotos e coisa engraçadas e do passado e não parar mais de rir e chorar, só lembrando besteira.

Bom, eu voltei, até enquanto agüento esta vida.

posted by CLIO ZINHA | 12:43 PM


Sexta-feira, Setembro 05, 2003  

A Pedidos

A Bia Barreira é tão bonita, inteligente, vivaz e alegre que não cansa a gente. É sempre uma coisa nova conversar com ela, até quando a preguiça dela bate, na hora de estudar para monografia.

posted by CLIO ZINHA | 11:49 AM


Quarta-feira, Setembro 03, 2003  

Tem a Ana Beatriz, que foi minha professora de artes e me ajudou pra caramba a superar uns probleminhas pessoais (tipo: "Uma pessoa muito importante na minha vida fuma maconha"), quando eu estava na quinta série. Ela morreu de câncer e, agora, deu nome à minha priminha, divertidíssima, que é sobrinha dela.

A filha da Ana, Cecília, também é artista plástica e pintou um quadro que é a minha cara e está na minha sala.

posted by CLIO ZINHA | 11:13 AM
 

Tem várias Bias que eu adoro:

Tem a Bia Barreira, que é daqui do meu trabalho;
tem a Bia Barros, que é do tempo do ronca, a gente já passou por tantas juntas que eu nem sei contar e, hoje, a gente conversa muito por e-mail;
tem Fabia Vitiello, que é a melhor escritora que eu conheço, embora eu não a conheça pessoalmente, e faz com que eu reveja várias coisas que penso a meu próprio respeito e a respeito de pirâmides e biscoitos (isso foi uma piada interna, que eu explico depois).
Tem a Bia Acioli Martins, o bebê mais fofo, que nasceu na mais fofa das coincidências, pelas mãos do meu fofo pai, filha da Socorro e do Zé, que eu quero que sejam meus pais, em próximas encarnações.

posted by CLIO ZINHA | 11:07 AM
 

Só para constar: eu amei a fota da preta. Amei de paixão, acho que ela é linda daquele jeito dela mesmo e é preciso muito talento para ser bela fora dos padrões. Não é inteligência. É talento mesmo, uma paciência para aprender a se gostar, se valorizar do jeitinho que se é, aprender a usar as rupas certas (não para disfarçar as imperfeições, mas para registrar os pontos fortes), a maquiagem certa para o tipo de pele, de olho, o cabelo certo. Tudo isso é talento e aprendizado. Exige um baita esforço e eu admiro quem faz isso.

Embora, ou talvez justamente por isso, eu não consiga ser assim.

posted by CLIO ZINHA | 10:48 AM
 

Eu faço as pazes com a minha vida e aminha história, um pouquinho de cada vez. Eu vou definindo o que cada um significa para mim, o que cada fato da minha vida é e o que foi, o que cada pessoa fez e deixou de fazer e vou reescrevendo isso, com outra pena, com uma caneta tinteiro, só minha, que eu inventei para isso mesmo: reescrever a mim mesma.

posted by CLIO ZINHA | 10:44 AM
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