Eu que não sou a Clarice
Eu, que gostaria de escrever como a Clarice Lispector, mas não tenho um terço do talento e da coragem dela.


Domingo, Janeiro 18, 2004  

Meu pai foi convidado para dar uma entrevista. A produtora do programa, minha ex-chefe e uma grande amiga me liga:

- Clícia, dá para o teu pai dar uma entrevista para a gente? - ela pergunta, abrindo uma manhã chuvosa e movimentada.
Eu respondo: "Claro! Sobre o que é?"
- Olha é para um programa do Sindicato dos Médicos, que é exibido na TVC, aos sábados. mas, olha, a gente precisa de um cara que fale, assim, dos problemas sexuais de todo mundo, homens e mulheres, sabe? Teu pai só atende mulheres?
- Não, querida. Ele faz terapia de casais, tem muitos casais clientes. Inclusive, tem alguns pontos que é interessante vocês levantarem. Ele já me explicou que muitos dos problemas sexuais dos adultos começam na infância, na educação, na maneira dos pais tratarem o relacionamentos dos filhos com a própria sexualidade etc (longa explicação sobre tudo que eu e papai conversamos).
- Ah, ótimo, querida. Obrigada. Era isso mesmo que eu estava querendo. Você liga para ele e avisa que eu estou ligando em seguida? Obrigada, bye, bye.
- Tchau, Marcinha, pode deixar que eu ligo. Um beijo.
Eu falei tanto que o Cláudio, que ia dirigindo ao meu lado durante a conversa, observou: "Nossa, Clícia, você quase que dá a entrevista no lugar do seu pai."

Pois é, de tanto preparar transparências com ele, eu acabei decorando umas coisas...

posted by CLIO ZINHA | 6:29 PM
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