Eu que não sou a Clarice
Eu, que gostaria de escrever como a Clarice Lispector, mas não tenho um terço do talento e da coragem dela.


Sexta-feira, Setembro 24, 2004  

Nessa foto ele está fazendo pose, mas geralmente ficamos lá mesmo: ele sentado e eu, deitada com as pernas ou a cabeça no colo dele. Quando o programa é mais longo, tipo um filme que pegamos na locadora, o Cao pega meu colchãozinho (que era o colchão de solteiro dele), eu me deito no chão, ele fica no sofá com o chimarrão e faz a pipoca.

Eu havia escolhido uma fota diferente, mais divertida, mais posada, mais style, como diria a Clá: ele, de óculos escuros, na nossa rede armada na varanda, com um riso sapeca no rosto lindo. Mas ele reclamou, disse que não, que não e que não.

Então, eu como esposa obediente que sou, troquei. Fazer o quê, né? Afinal, quem me conhece sabe que submissão

combina comigo...

posted by CLIO ZINHA | 8:49 PM
 



O Nicodemus é tão mimado, mas tão mimado, que quando eu o coloco no meu colo, ele já vira o pescocinho assim, de um jeito todo dele, para receber carinho. É íncrivel! Atualmente, ele mora no sítio porque a nossa casa é minúscula e a vizinha de baixo é histérica, mas, bom, deixa pra lá. Logo no início do meu casamento, eu ficava muito tempo sozinha porque estava desempregada e o Cao dormia muito cedo, também. Aí, eu deitava com o Nicodemus bebê no meu colo e ficava vendo TV. Ele dormia no meu colo e eu o colocava no cantinho dele.

Era só eu sair e dar três passos, que ele acordava e começava a latir. Uma vez, nós viajamos para algum lugar e o deixamos sozinho, por uns dois dias, com uma pessoa que ia lá colocar comida para ele. Não é que o danado conseguiu saltar a portinha improvisada que colocamos na área de serviço para que ele não saísse e, quando entramos, o apê estava uma bagunça só: ele tinha roído todos os nossos sapatos, sem exceção, inclusive a sandália do meu casamento; havia feito xixi em todos os cômodos da casa, inclusive na nossa cama; e estava justamente aterorizando as nossas duas hamsters que eu juro como não sei de que jeito elas não morreram de susto?

Acho que ele nunca mais apanhou tanto, em toda a vida. Mas já estava quase aprendendo, quando tivemos de nos mudar e eu comecei a trabalhar muito e a vizinha chata e gorda (não essa de agora, outra. É que eu sou campeã de mundanças) implicava com o latido do meu nenên e resolvemos deixá-lo com o Lipe e o André, que tinham acabado de perder o cachorrinho deles, na casa do meu tio Rico.

Mas, lá não deu certo e nós o levamos para o sítio, onde ele vive muito feliz com a companheira dele, a Puppy, uma beagle muito da fofa. Assim, nós tornamos pais-de-fim-de-semana.

posted by CLIO ZINHA | 8:26 PM
 



É ELE! Martinho Rodrigues Filho, o terapeuta mais fofo, mais amigo, mais companheiro e mais chatinho de todos os tempos!

É assim: eu chego e começo a falar. Quando eu me empolgo, ele começa a me interromper e não me deixa falar mais. Sempre que eu peço receita de remédio, ele me dá amostras grátis, pelo menos da medicação mais cara. E, quando eu chego tão triste que não consigo falar nada, ele até deita no chão para me fazer rir. Me faz rir quando eu preciso, me faz chorar quando eu não quero, mas preciso, me faz falar até do que eu não sabia que sentia, me faz descobrir um mundo em mim.

Enfim, o Martinho é o terapeuta que toda garota precisa...

posted by CLIO ZINHA | 7:10 PM
 

Sabor de memória/ gosto de infância

Hoje, eu encontrei esse tesouro, na minha caixa de e-mails. Quero acreditar que foi um presente de Deus, uma recompensa (ou um reforço positico, como diria o dr. João Ilo) por eu estar escrevendo, finalmente, a bendita monografia:

Ai! Se sêsse!...

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois si impariásse,
Se juntin nós dois vivesse!
Se juntin nós dois morasse
Se juntin nós dois drumisse;
Se juntin nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Zé da Luz


Essa poesia do Zé da Luz me trouxe as lembranças mais deliciosas da minha infância: meu avô - o mesmo que me ensinou a ler e inspirou o tema da minha monografia - gravando as poesias preferidas dele em fita cassete e, depois, escutando e me dizendo das maravilhas de poetas que a nossa o Nordeste tem. Me contando que existem os mais regionalistas, como o Zé da Luz e o Patativa, e os mais universais, como Augusto dos Anjos.

Depois disso, o quarto dos meus avós virou refúgio para mim, na nossa casa na Taíba. Era alguém descuidar e eu pimba! Corria para lá, pulava do parapeito da janela para o telhado e ficava devorando os livros do meu avô, sem ser incomodada pelo barulho das crianças menores ou a conversa alta dos adultos. Foi nessa época que eu descobri a poesia, que se transformou em um lugar só meu e me ajudou a atravessar a adolescência.

Eu ainda lembro de pedacinhos desse tempo, como essa poesia do Zé, que era a preferida do meu avô e, lógico, minha também: "Três muié ou três irmã, três cabra da mulesta/ Eu vi num dia de festa, num lugar puxinãnã...". E ainda: "Eu queria ser um magote com os óio deste tamanho/ prá oiá aqueles pagode de moça tomando banho".

Acho que era assim, mas não dá para ter certeza, tem muita coisa ainda escondida nos labirintos da minha cabeça.

posted by CLIO ZINHA | 2:17 PM


Terça-feira, Setembro 21, 2004  

Recordar é viver


Alguém desconhecido, Rô e Fracaro, pescados diretamente do Megeras.

Para as pessoas que me conhecem das antigas, me digam se esse rapaz de blusa laranja, que se chama Fracaro, não é a cara do Daniel Stéfanes, meu primeiro namorado, que tocava "Você é meiga demais, por você sou capaz de roubar até a lua", no órgão, para mim?

posted by CLIO ZINHA | 2:49 PM
 

Finalmente


Mamãe (tomara-que-caia rosa) e eu, no dia do meu aniversário, com direito a show da Intro - Punk Rock Vendido.

E aí, Bia, gostou?

posted by CLIO ZINHA | 2:40 PM
 

Uma amiga, que também é casada e também tem um terapeuta Bofe Bem, me liga:

- Clio, você está legal?
- Eu estou, você é que não parece nada legal, amiga.
- Pois é, descobri uma coisa tãããããããããããããão desagradável.
- Nossa, pela sua voz é bem pior que degradável, mas vamos lá. O que é?
- Estou apaixonada pelo meu terapeuta...
- Aãhn! E você é correspondida, beibe?
- Não sei, acho que sou...Ele me olha de um jeito, só fala coisas que redundam em separação no meu casamento, essas coisas...
- E ele também é casado?
- É, tem dois filhinhos?
- Vale a pena?
- Vale, se vale...
- Vale mesmo a pena? Vai durar? Ou é só uma paixão?
- Sempre é somente uma paixão...
- Ai, que brega!
- É mesmo, mas paixão é brega. Sempre!
- Ai, isso também foi brega.
- Escuta, você é minha amiga ou minha consultora de estilo?
- As duas coisas. Amiga que é amiga não pode, de jeito nenhum, deixar faltar estilo na outra.
- Ai, meu Deus, você não existe. Tchau.
- Tchau!

é, se não é possível viver uma grande paixão com estilo, é melhor dispensá-la.

posted by CLIO ZINHA | 11:33 AM


Sexta-feira, Setembro 17, 2004  

Qu tal se eu enviar ao meu terapeuta baixinho um link com o Manual Prático para Bofes Bem, um produto Organizações Megeras Magérrimas? Será que ele vai ficar lisonjeado ou aborrecido? Ou será que ele vai disponibilizar o link na página da clínica dele?

posted by CLIO ZINHA | 2:46 PM


Quinta-feira, Setembro 09, 2004  

Fotas, fotas, fotas

Ela era assim:


Papai e Clá.

Oi, somos a Família Bochechas.

Ficou assim:


Lucas, Clá e Lulu, meus irmãos, no dia da formatura da Clá. A moça agora é DÊvogada e me defende em tudo quanto é de processo, provando que eu sou uma lisa e não tenho como pagar os meus credores (onde se incluem todas as seguradoras do mundo). Êba!

posted by CLIO ZINHA | 12:34 PM


Segunda-feira, Setembro 06, 2004  

Você sabe que foi uma prostituta e destruidora de lares, além de bruxa malvada, em outras vidas, se:
* No dia da palestra do seu escritor favorito na Bienal (vejam bem, é somente a cada dois anos, ok?), o seu empregador, o Estado, não decretar ponto facultativo, já que é uma segunda-feira entre o domingo e o feriado da terça;
* Nesse mesmo dia, você acordar com dor de cabeça;
* Você não poder faltar pela dor de cabeça, porque aí não poderá ser vista de jeito nenhum na palestra do escritor favorito;
* Ao fim do expediente, você não praticamente conseguir manter os olhos abertos de tanta dor e, mesmo assim, não puder tomar um comprimido para não dormir na palestra do escritor favorito.

Agora, fica a questão: quem é o escritor?

NINGUÉM MAIS QUE CARLOS HEITOR CONY!/
O PRÓPRIO: único, incomparável, inteligente e sexy, tudo isso ao mesmo tempo.

Agora me digam, oráculos, como vou convencê-lo a fugir comigo com esta cara de "hoje, não, amor, que eu estou com uma baita enxaqueca". Ah, o Cao também vai. Mas tampouco deve conseguir convencer o nosso escritor favorito a fugir com ele.

posted by CLIO ZINHA | 4:51 PM


Quarta-feira, Setembro 01, 2004  



A fofura acima está no fotolog do Raí. Vão lá e pesquem mais delícias dos Anos 80 como papel de carta da Hello Kit, boneco do Fofão e vitrolinha...

posted by CLIO ZINHA | 8:39 PM
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DIZ AÍ
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