Sábado, Outubro 30, 2004
Ser Weyne é isso aí: quando você começa a se preparar para os casamentos dos primos (aqueles que não vão lembrar se você foi ou não e, portanto, está liberada para faltar), seus tios a surpreendem e não apenas se separam e começam novosrelacionamentos. Eles se casam. De verdade. Com direito a celebração (pela Igreja Brasileira), noiva entrando com vestido branco de cauda, véu e buquê; dama e pagem (os filhos do primeiro casamento do noivo), arranjos, choros, ensaios, cerimonialista, lista de presentes e vários pares de padrinhos. Além, é claro, da festa. De arromba, como comprovam as fotos abaixo.
Teve banda, tocou Gloria Gaynor e Village People, com direito à distribuição de óculos coloridos e frufrus. O Cao se animou e não queria mais sair da pista de dança, minha priminha (a filha do noivo) subiu no palco com a irmã da noiva e cantou, a Clá e o Gui escaparam do buquê, mas desceram do salto alto (eles desdenharam quando eu fui láperguntar se iam dançar) e caíram na pista, meus primos puxaram um trenzinho pela festa na hora de I'll Survive...
Vocês hão de perguntar: e você, Clícia, o que fez esse tempo todo?
EU ME ACABEI DE TANTO DANÇAR!!!
Tive que tirar o sapato e fiquei curtindo com o Cao, até que começou a tocar forró, nós cansamos e fomos para casa.
posted by CLIO ZINHA |
4:29 PM
Terça-feira, Outubro 26, 2004
Da série Como enrolar um cliente ou Por que a Qualidade Total nunca funcionou.
Fiz o pedido de umas esfirras num restaurante-lanchonete perto do meu trabalho porque eu não havia almoçado (isso às 16 horas) e, quando elas chegaram, estavam sem guardanapos e sem limão. Eu reclamei e olha o que o rapaz da entrega me respondeu:
- Olha, a gente só manda os limões junto com as esfirras de carne. Mas, se o cliente pedir, podemos enviar com as esfirras de queijo também. Os guardanapos também só vão quando o cliente pede".
Já que não adiantava argumentar com o rapaz, resolvi escrever para o site da dita lanchonete, que possui uma ouvidoria. Veja o que o que eles me responderam, uma semana depois:
Sra. Clicia,
Agradecemos seu contato.
Sua mensagem foi encaminhada para a administração da loja que, juntamente com nossa equipe de Treinamento Central da Rede, farão um retreinamento para funcionários com o objetivo de que fatos dessa natureza não ocorram novamente.
Vocês acreditaram?
Nem eu.
posted by CLIO ZINHA |
5:51 PM
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É como diz a música "amar é uma arte/ que muitas vezes arde/ mas é o mel da flor".
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Saudades de ter compartilhado tantas coisas boas com o Martinho, durante tanto tempo. Só de pensar em vê-lo apenas uma vez por mês - "para ajustar a medicação", nas minhas próprias palavras - sinto um buraco se abrir em mim e me corroer por dentro.
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Ele foi meu amigo e minha fantasia.
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Só espero que, após a nossa despedida, quando eu saí chorando do consultório dele, com olhos inchados e nariz-bolota-vermelho, ele não tenha desconfiado de nada. Bom, nem ele, nem as atendentes, nem os outros clientes da sala de espera, nem o moço que guarda carros do lado de fora.
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Se alguém aí precisar de um vexame público, é só falar. Faço preços módicos.
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Mas era necessário, como meu primo de sete anos disse à mãe, quando levou uma surra dela e a viu triste por causa disso. A vida só vale pelo que recusamos dela. O que queremos realmente não é o objeto desejado, mas a fantasia do objeto, e isso torna tudo muito sem graça quando nos aproximamos realmente daquilo que pensávamos querer.
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Ah, e é claro: ficam os ideais pelos quais lutamos, as nossas idiossincrasias em comum (como gostarmos de comer granola pura, por exemplo), as nossas diferenças, o nosso confesso carinho um pelo outro e o nosso bom humor.
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Além da minha dignidade intacta (apesar do choro).
posted by CLIO ZINHA |
5:04 PM
Sexta-feira, Outubro 22, 2004
Então, vejam só, maquiagem voltou à moda.
Antes que vocês pensem que eu sou uma old fashion sem noção e usem seus dedinhos bem cuidados para trocar de blog, deixem-me explicar.
Acontece que eu fico tremendamente apegada aos hábitos e costumes de determinada década. Eu sou de nova Russas, entendam, e tenham dificuldade em aderir tão rapidamente aos novos ditames que agora não mudam tão devagar. Vejam bem: eu passei uns dois anos estudando no novo colégio modernex - para o qual fui transferida depois de um ano em um colégio de freiras -, antes de começar a usar as benditas ombreiras (têm outro nome, mas não lembro agora), que todas as garotas populares da turma usavam. Exatamente no dia em que eu comecei a usá-las (depois de cortá-las de um paletó do vovô, o que me rendeu um baita castigo), as garotas "tudo de bom" resolveram que ombreiras estavam completamente cafona. Eu fui de ombreiras enoooooooorrrrmes e mal colocadas e elas disseram: "Por que você sempre quer ser diferente?"
Eu fiquei triste e me sentindo a última das criaturas, mas não ia sair por baixo daquela provocação, porque enquanto o meu gosto para moda era completamente desatualizado, a minha língua já era afiadíssima. Respondi: "Porque eu não tenho necessidade de macaquear ninguém."
Pronto, foi o meu passaporte para a total impopularidade no colégio, até o início dos anos 90, mais precisamente 1992, quando eu encontrei Bia, Ivana, Kiki e Marina e a moda começou a ser mais simples e menos perua. Também quando eu parei de tentar agradar a gregos (minha mãe) e troianos (meu pai e minha avó) e descobri meu estilo. Pronto! Estava feliz e cool até hoje (por "hoje" leia-se, "na minha atual fase da vida que começou há três anos"). A moda voltou aos anos 80, com seus cabelos armados, que não favorecem meu rosto pequeno; com sua maquiagem exuberante, que não favorece o meu jeito de menina (é, eu tenho trita, mas ainda tenho jeito de menina); com suas roupas extravagantes, que não favorecem meu corpinho outra vez redondo.
Eu estava me sentindo outra vez um cisne em meio aos patos quando, na semana passada, resolvi colocar uma sombra azul-marinho para ir à terapia com o gestalt-terapeuta-hedonista. Não era nada, não. Era só para mostrar a ele como eu estou bem, me cuidando, como o tratamento tem dado resultado etc. Para completar, coloquei um colar que parecia uma coleira de veludo e uma camiseta decotada, que valoriza o meu "colo". Pronto! O terapeuta disse que eu estava diferente, bonita, arrumada e feminina ( eu imagino que devia parecer um trapo ambulante aos olhos dele, até então), minha avó disse que "finalmente, você resolveu se arrumar", minhas tias (sim, porque eu fui para um aniversário cheio de tias e tios, depois da terapia) disseram que "estava bonita" (assim, com bastante ênfase no bonita). Com o reforço positivo (como diria o terapeuta-obcecado-por-prazos-e-disciplina) eu - que até então era adepta da sombra rosa-bebê, lápis preto e máscara incolor para cílios - acabei adotando a maquiagem "vamp" (só para relembrar outros tempos) para todos os momentos. Isso rendeu também com o meu gatinho, no trabalho, na outra terapia, em todos os cantos da minha vida enfim...
Agora, eu me pergunto: será que essa sombra grafite, com rímel preto que alonga os cílios, delineador preto nos olhos e batom café está muito exagerado para ir à terapia?
Deixa pra lá. Pode usar seus dedinhos bem cuidados para mover o mouse na direção de outro site, mais fashion...
posted by CLIO ZINHA |
2:45 PM
Agora mesmo, eu estou ouvindo "Gente, espelho da vida, doce mistério...". Vocês não imaginam o efeito bom que essa música tem sobre mim. É só eu imaginar o dito cujo cantando, pronto! Me vem um certo horror à sua figura, eu não consigo nem pensar mais nele.
Funciona que é uma beleza!
posted by CLIO ZINHA |
1:30 PM
Como se livrar de um amor impossível*
Mais limpo que uma mandinga e dez vezes mais rápido que Terapia Comportamental
Eu encontrei um antídoto ótimo para paixonites agudas e repentinas: uma trilha sonora ao contrário.
A trilha sonora ao contrário funciona assim: o vivente - no meu caso, a vivente - em surto de paixão por alguém-mais-que-impossível, descobre algum tipo de cantor/ compositor de quem o objeto em questão goste e que a dita pessoa surtada odeie. No meu caso, foi a máfia do Dendê (Caetano Veloso e cia. - ps.: Gil não entra aqui). Isso pode ser fácil de encontrar num papo sobre as adolescências de dada um (puberdade, se o/a surtado/a ainda for adolescente. Se você for menor que um adolescente, dê o fora daqui. Vá assisitr Hamtaro, Meninas Superpoderosas ou Dexter. Este site não é recomendado para menores de 14 anos).
Feito isso, finja que você está se interessando pelo compositor ou cantor que você detesta. O objeto da sua paixão-impossível vai se interessar por torná-lo/a um seguidor do seu ídolo e começar a ver músicar que podem despertar o seu interesse. Alimente essa pretensão com alguns títulos de músicas que você acha que gosta (mas que, na verdade, você detesta). Ele vai se empolgar. Aí, é só dar a cartada final: comece a cantarolar uma dessas e diga, com a carinha mais inocente do mundo: "Essa até que é bonitinha. Faz tempo que eu não ouço, não sei direito como é a letra."
Pronto! Ele vai cantar para você ou peça um CD emprestado. Ouça a dita música, na pior interpretação que você encontrar, toda vez que se sentir prestes a ter uma recaída.
No meu caso, o que deu melhor resultado foi "Trem das cores", do próprio Caetano Seboso.
Colaborou Clarice Weyne.
posted by CLIO ZINHA |
12:57 PM
Quinta-feira, Outubro 21, 2004
Ele a olhou bem e disse:
- Era só ter me perguntado. Não precisaria ter se dado ao trabalho de gastar tanto tempo, pesquisando o meu nome.
Ela o encarou, baixando rapidamente os olhos, encabulada:
- Eu não sabia. Pensei que você fosse ficar aborrecido...
- Aborrecido? Eu? Por você querer saber mais de mim?
- Por causa do nosso tipo de relação, por causa de milhares de coisas que você sabe.
Ela nem notara, mas não o tratava mais formalmente. Ele havia percebido, mas resolveu deixar daquele jeito mesmo, para não piorar o constrangimento da situação.
- Eu sei dessas coisas, mas você precisa trazer esses sentimentos para a nossa relação. Não dá para ficarmos escondendo isso um do outro, brincando, assim, de gato e rato. Ou tratamos disso abertamente ou não vai dar certo.
Nesse momento ocorreu a ele que talvez o mesmo sentimento que a impulsionasse a pesquisar a sua vida, fosse o que causasse a agressividade dela, quando se encontraram pela primeira vez. Naquele dia, ela havia chegado assustada, mas usava a sua eloqüência para tentar escodner tudo. A fala era a sua própria máscara.
Algum tempo depois do primeiro encontro, ao ser questionada sobre o quê, exatamente, esperava dele, caíra num choro confuso, soluçado, tão sentido, como o da própria filha, que ele tanto amava.
Pela primeira vez, em tanto tempo, se sentira envolvido por aquele tipo de situação, por aquele tipo de demostração, que somente surgia quando se misturava em alguém uma grande necessidade e medo. Era de novo o que se prenunciava: ela sentada à sua frente, encolhida e de cabeça baixa, como uma garota que tivesse sido apanhada pelo pai, justo quando cruzava uma fronteira qualquer dos limites impostos por ele, e sabia que teria de dar explicações, se não quisesse levar um castigo pior. O rosto dela piorova e ele via claramente, agora, se desenhar na face meio infantil: medo, necessidade e um tantinho de desespero. Era o momento certo.
- Então, o que você quer saber a meu respeito e, sobretudo, por que quer saber?
Ela se aconchegou ainda mais à cadeira. Parecia que aquela cadeira tinha algo vital para a resposta que deu:
- O que você realmente sabe a meu respeito, depois de todo esse tempo?
posted by CLIO ZINHA |
6:38 PM
Terça-feira, Outubro 19, 2004
Era para a Clá ter escrito isso, mas já que ela não postou, lá vai:
Estou (estava) de férias do trabalho nestas duas últimas semanas. Como não tenho internet em casa (e havia firmado o compromisso comigo mesma de não acessar nada, nesses dias, para escrever a monografia), fiquei sem aparecer por aqui. Fui reconvocada ao trabalho e, para variar, interrompi minhas férias no meio.
Portanto, estou de volta.
OLÁ!!!!!!
posted by CLIO ZINHA |
5:59 PM
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