Terça-feira, Janeiro 29, 2008
Para que eu não esqueça!
Clícia – Assim, em relação à posição das mulheres dentro do Partido...Elas eram comunistas, militantes, filiadas etc.
Vasco – As que quisessem.
C – As que quisessem, mas elas tinham acesso...
V – Elas eram consideradas naquela época organização de massa, ela era considerada organização de massa. Agora, tinha aquele núcleo, aquele núcleo dentro do Partido.
C – E as especificidades da luta feminina eram colocadas em pauta?
V – Eram. Eram à medida que elas iam se revelando. Se fazia campanha, a campanha era pixamento (risos). Porque quando se fazia assim uma passeata, essa passeata era muito bisonha (risos).
C – Por que bisonha?
V – Eu tenho que falar porque eu não esqueci (risos). Mas você como eu não esqueci que falei até rápido? O negócio é eu...
C – O senhor falou muito bem! Foi aquilo que eu lhe disse, o senhor tem é ansiedade!
V – Mas aí ninguém pode arriscar isso num júri! Num júri, como é que eu vou arriscar um negócio desses?
C – Mas e se o senhor tentar um tratamento para ansiedade, com antidepressivos, como o prozac?
V – Todo dia que eu leio a esse respeito as pessoas me desanimam, sabe? Me dizem que a verdade é que, os médicos, a verdade é que isso aí é um negócio que pode diminuir numa escala menor, mas não pode reduzir e tal. Eu tenho ouvido, já ouvi alguns médicos daqui, como o Leitão, é até irmão do Leitão comunista...Tarcísio Leitão!
C – Vovô, mas então ele é do tempo do ronca!
V – Mas tem outros que é do tempo do não-ronca (risos)! Tem uns moderninhos, minha filha! Até aquele tratamento molecular eu já fiz.
C – O senhor não quer tentar ir lá no Martinho, não?
V – Quem é Martinho?
C – Martinho é o médico do Cláudio. Ele é muito bom.
V – É?
C – É, o Cláudio estava com um problema semelhante, não era? Estava com dificuldade de completar raciocínio, tava com... E o Martinho, assim, vem acompanhando o Cláudio, hoje em dia ele está bem melhor, não é Cao?
Cao – Melhorei.
V – Pois é. Vamos ao Martinho!
RISOS
C – Ele é ótimo, ele é ótimo. Ele é comunista, ele é muito engraçado...
V – Então, ele é gente boa, comuna é o bicho melhor que ainda tem no mundo! (Risos).
C – Ele diz que ele está fora de moda porque é marxista.
V – É, eu também. Diga a ele que tem dois!
posted by CLIO ZINHA |
5:32 PM
Não, não tem mais livro de visitas. Nem e-mail.
Somente eu. Eu mesma. Eu sozinha. Sem platéia. Sem público. Sem diálogo com os outros.
Porque eu entrei numas que para escrever mesmo, tenho de ser sozinha.
Mas um dia isso passa.
posted by CLIO ZINHA |
10:36 AM
Começar pela leitura. Recomeçar pela escrita.
Apagar tudo de novo.
Recomeçar.
Mais uma vez.
posted by CLIO ZINHA |
10:32 AM
Estar aqui
Estar sozinha.
Estar com você
Estar sozinha.
Amar
Sozinha. De novo.
posted by CLIO ZINHA |
10:01 AM
Quinta-feira, Janeiro 24, 2008
E as embalagens de bono chocolate se acumulam na lixeira que fica embaixo do meu computador. Quando terminar esse trabalho, terei uma média de quanto eu consumo em fases de escrita...
posted by CLIO ZINHA |
3:31 PM
Terça-feira, Janeiro 22, 2008
Tenho vontade de guardar as emoções desse momento da pesquisa numa caixinha, pois se o que eu busco na vida é a intensidade, temo nunca reencontrar novamente essa força que me toma nos primeiros momentos em que me encontro sozinha com o meu jornal, naquela sala fria, ele quase se desmanchando entre os meus dedos.
Temo perder a emoção de tocá-lo, temo me habituar à pesquisa e não reencontrar essa sensação de primeiro beijo que estar em contato com o meu objeto, com as minhas fontes me dá.
Temo sufocar issos pela necessidade - embora contemporaneamente ela seja mínima, de distanciamento, de estranhamento - que a pesquisa acadêmica impõe. Mas, também tenho neessidade de saber qual a Clícia pesquisadora e pessoa vai emergir desse momento. Estou num casulo. Quero ver a feição de borboleta que terei ao final desse processo.
Pois certamente, não serei (já não sou) a mesma.
posted by CLIO ZINHA |
10:02 AM
Domingo, Janeiro 20, 2008
Conversando com uma amiga, eu fico pensando: Será que algum dia vou me sentir capaz de dar conta dos recados?
posted by CLIO ZINHA |
2:48 PM
Sábado, Janeiro 19, 2008
Acho que eu só vou me dar conta de quanto o mestrado me transformou, mais ou menos um ano depois que eu terminá-lo.
posted by CLIO ZINHA |
10:05 AM
Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Acabei de descobrir!
Pode ser que eu não tenha dislexia, mas um raciocínio rizomático, não-linear.
Beleza.
posted by CLIO ZINHA |
11:03 AM
Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
Mil obras a decifrar, mil percursos a fazer, regras por transgredir e subverter.
posted by CLIO ZINHA |
5:45 PM
Lendo Chartier, que fala sobre a liberdade do perambular mundano da leitura, eu desejo ser mais uma leitora que uma escritora. mas, antes, desejo ser uma escritora que lê o que escreve e se surpreende com o que escreve como se nunca tivesse visto aquele texto. E, ainda mais, redescobre no texto originalmente escrito por si significados nunca antes imaginados no ato da escrita, mas só perceptíveis para um leitor mundano-desatento-lúdico-hedonista.
Não entenderam?
Tudo bem. Eu tampouco entendo tudo que escrevo. Decifrar-me cabe a vocês, leitores. E esse "vocês" me inclui também.
posted by CLIO ZINHA |
5:41 PM
Xô! Fora! Vão embora!
Saiam daqui suas fantasias urubus de uma adolescência eterna. Adolescência eterna é a morte. É a morte de tudo que pode ser construído de legal em cima da superação, de mil readaptações, redirecionamentos vários, invenções, inovações. Por isso, vão embora suas fantasias cretinas de me manter para sempre naquela juventude improdutiva de sofrimento acorrentado a mil lembranças produzindo mais dor e sofrimento. E angústia. E fantasias de suícidio rock 'n roll. E de ir morar longe, onde ninguém me conheça. Onde quer que eu vá morar agora sempre terá alguém que me conhece. No mínimo, uma pessoa já saberá que eu sou eu e essa pessoa bastará para me trazer de volta ao mundo dos adultos. Ao mundo dos vivos. E voltar de uma fuga será pior do que ficar e enfrentar o que deve ser enfrentado, aqui e agora. É só adiar tudo que eu tenho que fazer e isso sempre piora um pouco as coisas. Sempre torna tudo mais difícil e doloroso.
Por isso, fora juventude eterna. Que venha a velhice. E com ela a perda de vigor, a maturidade, os cabelos brancos que eu vou pintar, alguma serenidade, uma certa beleza um pouco triste. Mas sem quilos a mais, que quilos a mais são o cúmulo da decadência em quem tem 1,50m e ossos finos como os meus. Que eu saiba me transformar numa velhinha simpática e sábia e compreensiva a quem todos escutam, mas nem sempre obedecem e nem por isso me frustram, como O Narrador, de Walter Benjamin, que é um texto do caralho.
E que eu pare de me sabotar, pois não adianta o quanto eu me sabote. A adolescência não vai voltar nunca.
posted by CLIO ZINHA |
4:12 PM
Por que é tão doloroso o enfrentamento?
posted by CLIO ZINHA |
3:37 PM
Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Gracinhas do João
- Mamãe, eu vou delisgar a chuva!
Com a malinha branca com ursinho Pooh azul (que não é dele, é minha!):
- Mamãe, olha, um calabouço! O que é que tem dentro do calabouço?
Arrastando a malinha pela casa:
- Tchau, mamãe, vou embora.
- Vai para onde, João?
- Vou para a casa da Vovó Osvaldina.
Arrastando a malinha e dentro do carrinho vermelho dele;
- Tchau, mamãe. Já vou, qualquer coisa, tu me liga.
posted by CLIO ZINHA |
12:06 PM
Domingo, Janeiro 06, 2008
Eu tenho tanto para contar aqui...Os percursos - percalços? - da minha pesquisa, a vida em família, as gracinhas do João, um punhado de sonhos e bobagens que eu penso durante o dia. Eu só falo do Ano Novo, depois que passam Natal e Ano Novo, só depois de algum tempo daquele burburinho que são as festas de final do ano na minha vida, a ficha cai e parto para (re)avaliar projetos, ganhos, perdas etc. Mas, hoje, estou aqui para contar uma descoberta I-N-C-R-Í-V-E-L que fiz recentemente: camarão piora os processos inflamatórios que estão em curso no meu corpo.
Tcharaaaaammmmmmmm!!!!!
Eu não merecia o Nobel de Medicina? Constatei na prática que, em mim, camarão não apenas causa erupções de pele, aumenta o fluxo (e a cólica) menstrual, dá um pouco de nariz entupido e garganta inflamada, talvez alguma dor de cabeça, mas que também, pasmem, aumenta cem vezes cem dores musculares e afins.
Passei as últimas semanas de creusa, por conta das férias da Aglaís, e o João andou tendo uns ataques de querer braço a todo custo recentemente. Eu o colocava no colo e ficava segurando com a parte esquerda do corpo (mão, braço, cintura, tudo que desse para apoiar um menino de 2 anos e cinco meses, quase um metro de altura e cerca de 12 quilos) para evitar piorar a situação com a mão direita, já devidamente sobrecarregada com a escrita e todas as outras atividades de uma destra. Pois bem, acho que a parte esquerda do meu corpo, até então meio que acostumada à vida mansa de um uso secundário, estava prestes a reclamar por meio de dores musculares e algum sofrimento nos tendões da mão dos meus excessos de carinhos e cuidados com o João. Entretanto, eis que eu lembrei que comi camarão, ontem, no almoço da casa da vovó. Antes, para compreender o significado disso, é preciso que vocês saibam algo a meu respeito.
Sou uma gulosa. Não sou gorda por pura sorte e genética, mas como MUITO aquilo que gosto (perguntem ao meus fornecedores de Coca Zero e Bono Tortinha de Chocolate). Dessa forma, repeti e repeti e repeti o peixe ao molho de camarão, pedindo sempre ao Cao - meu previdente marido que NÃO come camarão - que caprichasse nos camarões do meu prato. Umas quatro horas depois, veio a dor aguda e lancinante no braço, minha mãe fez massagem com pomada anti-inflamatória e analségica, mas só a dor só passou com o potente comprimido passado pelo dr. Colares para a tendinite da mão direita. E eu pensei: "Agora lascou, nem adianta mais eu tentar ser ambidestra porque a tendinite chegou na mão esquerda!". Confesso que fiquei preocupada, pensei em manerar no uso do computador, no colo para o João, em tudo, enfim. Pensei até em colocar em prática as recomendações do dr. Colares de ginástica laboral para prevenir o Mal de quem usa muito esses equipamentos modernos. Mas, eis que liguei os pontinhos, sonolenta, ainda meio dormindo e meio acordada hoje de manhã, e cheguei à conclusão que foi o camarão de ontem que ameaçou a minha mão esquerda.
Não fosse assim e a dor não teria cedido quase que de imediato com o uso do ani-inflamatório, sem voltar a reaparecer - na mão direita, ela apenas diminui de intensidade e, quando cessa o efeito do remédio, volta com força total, me obrigando a recorrer novamente ao remédio, sucessivamente, até que ainflamação passe.
Viva! Viva o uso do computador, viva fazer milhares de fichamentos na biblioteca, viva cortar e decorar papel feito louca (scrapbooking), viva pegar meu bebê no colo à vontade. Viva fazer tudo que eu gosto do jeito que eu gosto: muito, em excesso, over, demais, bastante.
Até, é claro, o próximo almoço na casa da vovó que tenha peixe ao molho de camarão.
Não sei a quanto disso minhas articulações vão resistir, mas até lá me divirto bastante.
posted by CLIO ZINHA |
10:53 AM
|
 |
|
 |
 |